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terça-feira, 17 de julho de 2012

Fraga e sombra - Carlos Drummond de Andrade

 
Fraga e sombra - Carlos Drummond de Andrade

A sombra azul da tarde nos confrange
Baixa, severa, a luz crepuscular.
Um sino toca, e não saber quem tange
é como se este som nascesse do ar.

Música breve, noite longa. O alfanje
que sono e sonho ceifa devagar
mal se desenha, fino, ante a falange
das nuvens esquecidas de passar.


Os dois apenas, entre céu e terra,
sentimos o espetáculo do mundo,
feito de mar ausente e abstrata serra.


E calcamos em nós, sob o profundo
instinto de existir, outra mais pura
vontade de anular a criatura.


Carlos Drummond de Andrade

Um comentário:

  1. Bom dia! Eu não conhecia ainda este poema... bonito demais....

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